Relatório da União Internacional de Telecomunicações mostra um desempenho brasileiro acima das médias das Américas e dos países de renda média-alta. A acessibilidade econômica é um dos destaques, enquanto a adoção da banda larga móvel e o volume de tráfego ainda oferecem espaço relevante para avanço.

Agosto de 2026 | Top Digital

O Brasil obteve 84,6 pontos, em uma escala de 0 a 100, na edição 2026 do Índice de Desenvolvimento das TIC (IDI), publicado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). O resultado ficou acima das médias das Américas, de 78,5 pontos, dos países de renda média-alta, de 83,2 pontos, e mundial, de 79,2 pontos.

O desempenho confirma que o país se encontra em uma posição relativamente favorável no desenvolvimento da conectividade. Entretanto, a leitura dos indicadores individuais mostra que o avanço não é uniforme. O Brasil combina boa acessibilidade econômica, ampla presença de Internet nos domicílios e elevado uso da rede com resultados mais modestos na penetração normalizada da banda larga móvel e, principalmente, no tráfego de dados por assinatura.

O que é o Índice de Desenvolvimento das TIC

O IDI foi criado pela UIT para acompanhar o progresso dos países em direção à conectividade universal e significativa. Em termos práticos, o conceito representa a possibilidade de todas as pessoas acessarem a Internet em condições adequadas, de forma confiável e a um custo acessível, quando e onde for necessário.

A metodologia reúne dez indicadores e os organiza em dois pilares. O pilar de conectividade universal considera o uso da Internet, a proporção de domicílios conectados e as assinaturas ativas de banda larga móvel. Já o pilar de conectividade significativa reúne cobertura das redes móveis, tráfego de dados, acessibilidade dos serviços de telecomunicações e posse de telefone celular.

Cada pilar representa 50% da pontuação final. A edição 2026 utiliza principalmente dados referentes a 2024. Por isso, seus resultados devem ser entendidos como uma fotografia comparável do desenvolvimento digital, e não como uma medição em tempo real.

O cenário mundial

A edição 2026 avaliou 159 economias e registrou média global de 79 pontos. A mediana foi de 85 pontos, mas a distância entre os extremos permaneceu elevada: o menor resultado foi 25 e o maior, 100. Ao todo, 59 economias ficaram entre 90 e 100 pontos, enquanto 15 permaneceram abaixo de 50.

Na comparação feita com um conjunto constante de 151 economias, a média mundial avançou de 74 pontos em 2023 para 80 em 2026. Entre os indicadores, o maior progresso ocorreu no tráfego de banda larga móvel, cujo resultado normalizado subiu 11 pontos, seguido pela penetração da banda larga móvel, com alta de 8 pontos.

O relatório também evidencia uma diferença entre os dois pilares. A média mundial foi de 73 pontos em conectividade universal e 85 em conectividade significativa. Segundo a UIT, a infraestrutura, a cobertura e a acessibilidade econômica podem melhorar mais rapidamente do que os indicadores ligados ao comportamento e à adoção pelos usuários. Em outras palavras, disponibilizar a rede não garante, por si só, que toda a população esteja efetivamente conectada e utilizando os serviços.

Brasil supera as principais médias de comparação

No índice geral, o Brasil alcançou 84,6 pontos. O país também apresentou 80,9 pontos no pilar de conectividade universal e 88,2 no de conectividade significativa.

Componente Brasil Américas Renda média-alta Mundo
IDI 2026 84,6 78,5 83,2 79,2
Conectividade universal 80,9 72,6 78,1 73,4
Conectividade significativa 88,2 84,5 88,3 85,0

O resultado brasileiro supera a média das Américas em 6,1 pontos e a mundial em 5,4 pontos. Em relação ao grupo de renda média-alta, a vantagem é menor, de 1,4 ponto. No pilar de conectividade significativa, o Brasil praticamente empata com a média de seu grupo de renda: 88,2 contra 88,3 pontos.

A série comparável mostra uma evolução de 81,9 pontos em 2023 para 82,0 em 2024, 84,4 em 2025 e 84,6 em 2026. O ganho acumulado foi de 2,7 pontos, embora a variação mais recente tenha sido pequena, de 0,2 ponto. Isso sugere que, depois de atingir um patamar relativamente elevado, os próximos avanços dependerão de melhorias mais específicas nos componentes em que o país ainda está distante dos valores de referência utilizados pela UIT.

Os indicadores brasileiros em detalhe

Indicador Brasil Américas Renda média-alta
Pessoas que utilizam a Internet 84,5% 78,6% 78,9%
Domicílios com acesso à Internet 83,4% 72,0% 78,4%
Assinaturas ativas de banda larga móvel por 100 habitantes 98,9 83,5 92,4
População coberta por rede 3G 92,7% 95,4% 96,9%
População coberta por rede 4G/LTE 91,2% 88,9% 93,0%
Tráfego de Internet móvel por assinatura 69,1 GB 124,7 GB 143,3 GB
Tráfego de Internet fixa por assinatura 1.884,5 GB 3.446,6 GB 2.826,9 GB
Cesta móvel de alto consumo, como proporção da renda per capita 0,7% 6,2% 3,9%
Cesta de Internet fixa, como proporção da renda per capita 2,5% 7,2% 4,3%
Pessoas que possuem telefone celular 87,4% 83,2% 84,6%

Acessibilidade econômica é o principal destaque

O melhor resultado do Brasil aparece no preço da cesta móvel de alto consumo, equivalente a 0,7% da renda nacional bruta per capita. Como a meta de referência da UIT é de até 1%, o país recebeu pontuação normalizada máxima, de 100, nesse indicador.

Na banda larga fixa, a cesta representa 2,5% da renda per capita. Embora o valor ainda esteja acima da meta de 1%, ele é consideravelmente inferior às médias das Américas, de 7,2%, e dos países de renda média-alta, de 4,3%. O Brasil obteve 95,5 pontos normalizados nesse componente.

Também se destacam a posse de telefone celular, com 87,4% da população e pontuação normalizada de 92,0, e a cobertura móvel combinada, que atingiu 91,8 pontos. A cobertura 4G/LTE brasileira, de 91,2%, supera a média regional de 88,9%, embora ainda fique abaixo dos 93,0% registrados pelo grupo de renda média-alta.

Adoção e intensidade de uso ainda limitam o resultado

Os menores resultados normalizados do Brasil foram registrados nas assinaturas ativas de banda larga móvel, com 65,9 pontos, e no tráfego de Internet móvel por assinatura, com 68,4 pontos.

O país possui 98,9 assinaturas ativas de banda larga móvel por 100 habitantes, acima das médias regional e de renda. Ainda assim, a pontuação normalizada permanece distante do valor de referência da metodologia, definido a partir do desempenho das economias com maior penetração.

No tráfego móvel, a diferença é mais clara. O Brasil registra 69,1 GB por assinatura, diante de 124,7 GB nas Américas e 143,3 GB entre os países de renda média-alta. No tráfego fixo, o resultado brasileiro de 1.884,5 GB por assinatura também fica abaixo das duas referências, de 3.446,6 GB e 2.826,9 GB, respectivamente.

Esses números ajudam a explicar a diferença de 7,3 pontos entre os pilares brasileiros: 88,2 em conectividade significativa e 80,9 em conectividade universal. A infraestrutura e a acessibilidade estão, em muitos aspectos, à frente da adoção e da intensidade de uso. O desafio é transformar a disponibilidade das redes em acesso efetivo, uso frequente e serviços com capacidade e qualidade compatíveis com a crescente demanda digital.

O que os resultados indicam para o setor de telecomunicações

O IDI 2026 reforça que ampliar a área de cobertura continua sendo necessário, mas já não é suficiente. Em um mercado relativamente maduro, o desenvolvimento passa também pela qualidade do sinal, capacidade, continuidade, disponibilidade de espectro, desempenho do backhaul, controle de interferências e adequação das redes às necessidades reais de cada aplicação.

Essa leitura é especialmente relevante em ambientes industriais, minerários, logísticos, energéticos e de segurança, nos quais a média nacional não representa as condições locais. Estudos de propagação, medições em campo, planejamento de radiofrequência, análise de interferências e licenciamento adequado são essenciais para verificar se a conectividade disponível é realmente confiável e capaz de suportar aplicações críticas.

Também é importante considerar as limitações do próprio índice. A edição atual não mede diretamente a penetração da banda larga fixa, a velocidade da Internet, a cobertura 5G, as competências digitais nem a segurança on-line. Além disso, os resultados nacionais podem esconder diferenças significativas entre regiões, municípios e grupos da população.

O Brasil avançou, mas o próximo salto exige qualidade e uso efetivo

O Brasil chega à edição 2026 do IDI com uma base sólida: pontuação superior às médias mundial, regional e do grupo de renda, serviços relativamente acessíveis e bons indicadores de uso da Internet e presença nos domicílios. Ao mesmo tempo, o crescimento recente foi discreto e os dados de tráfego revelam espaço importante para evolução.

O próximo avanço da conectividade brasileira dependerá menos de indicadores isolados e mais da integração entre cobertura, capacidade, qualidade, confiabilidade, planejamento e adoção. Para empresas e instituições, isso significa avaliar as redes com base nas condições específicas de operação e não apenas em médias nacionais.

A Top Digital atua no planejamento, avaliação e regularização de redes de telecomunicações, com estudos de cobertura e radiofrequência, medições em campo, análises de interferência e licenciamento junto à Anatel. Essas atividades ajudam a transformar infraestrutura disponível em conectividade efetiva, segura e adequada às necessidades de cada projeto.

Fonte principal: União Internacional de Telecomunicações (UIT), Measuring digital development: The ICT Development Index 2026. Os resultados da edição 2026 utilizam principalmente dados de 2024. A UIT não apresenta ranking de países; o objetivo do índice é medir o progresso em direção à conectividade universal e significativa.

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